BOAS VINDAS

Benvindos a este espaço! Esta é uma página estritamente familiar, aberta a todos aqueles, familiares ou não, que de alguma forma queiram contribuir com o que sabem e conhecem ou simplesmente tenham meras curiosidades e questões que pretendam levantar. Tudo o que diga respeito ou se relacione com a família do meu pai ou da minha mãe, será sempre objecto da minha atenção.

sexta-feira, 30 de março de 2007

CASA DE SAMAIÕES (IV)

Tentarei, tanto quanto possível, percorrer a Casa de Samaiões por dentro e por fora, descrevendo e historiando cada uma das divisões.
Neste capítulo, procurarei apenas fazer uma descrição breve que dê uma imagem mais ou menos global deste solar e só depois, iniciar a parte mais descritiva das suas divisões.

Como se viu, a entrada era feita por um enorme portão em pedra onde se iniciava uma avenida, ladeada por uma mata de pinheiros à direita de quem desce e terreno de lavradio à esquerda.
Em frente à casa, os jardins eram o primeiro plano de uma extensão de terreno de lavradio e pasto que circundava praticamente toda a Casa. A eira ficava em frente das oficinas e garagem.

Circunscrito por um muro que ladeava toda a casa, podíamos encontrar 2 pátios. No primeiro pátio com saída directa da cozinha, de escritório e da casa de serventia, havia um lago com um pequeno repuxo, ladeado pelas entradas para a adega e as vacarias. Por cima da saída do escritório, lembro-me de um pombal com pombas de leque. As janelas dos quartos do primeiro andar, davam todos para esse pátio.

O acesso ao segundo pátio, tinha um soleiro com um forno de lenha enorme à esquerda.
Neste segundo pátio, para além de mais uma vacaria, onde também se guardavam as ovelhas, havia ainda um alambique, uma pocilga, capoeiras, salas de gado, e creio que um espaço coberto para secagem de milho (?)

Dentro da casa, com tectos de maceira, na sala de entrada, existia uma panóplia grande com armas de diferentes espécies, dois contadores sobre pés torneados (séc. XVIII) e uma vitrina que guardava o vestido de noiva da trisavó Bárbara em estilo império, um vestido de baile, uma faixa de Presidente da Câmara de Chaves, pertencente a Francisco de Barros Morais Losada Teixeira Homem, e peças de loiça Companhia das Índias, com o brasão dos Sande e Castro. Nas paredes estavam pendurados os retratos do avô, da avó, da tia Maria e do pai, pintados por Alves Cardoso. Havia naquela sala mais dois retratos: um do bisavô António Paes de Sande e Castro e outro de Joaquim Ferreira Cabral Paes do Amaral (1770-1845) pai do avô Manuel de Barros, pintado pelo Sr. Pe. Silvino da Nóbrega
A casa possuía três fogões de sala, um na casa de jantar, outro no salão e finalmente outro na biblioteca.
No salão podia ver-se um belíssimo piano de cauda e dois quadros pintados, em tamanho natural, de António Paes de Sande e de sua mulher D. Catharina Sotomaior de Castro, casados em 1645.
O “quarto do Bispo”, mesmo ao lado, apresentava uma imponente cama de bilros.
A sua biblioteca era considerada das mais importantes da região, a nível particular. A variedade de temas era grande , possuindo também a obra completa do Abade de Baçal. Os manuscritos constituíam uma valiosa colecção e alguns eram datados do século XV.
Estão presentemente no Arquivo da Biblioteca Municipal de Vila Real.
A Cozinha era enorme, com um alpendre onde cabia um caldeirão sempre com água quente em fogueira.
A "salinha" era onde podiamos encontrar os retratos de familiares mais próximos, das gerações mais novas, era onde se tomava o chá e onde o meu avô tinha o cofre onde guardava os "tostões" com que nos pagava o serviço de recolha das pinhas para a lareira.
Em baixo, havia ainda duas casas de banho, um quarto de serventia e um enorme corredor que atravessava a casa em toda a sua largura, no meio do qual ficavam as escadas de acesso ao piso superior que "abrigavam" a mesa do telefone.
A capela encontrava-se precisamente no lado oposto à biblioteca.
Na parte superior, havia 5 enormes quartos e um enorme sótão de arrumos, também ele praticamente do tamanho da frente da casa.
Do lado da capela, havia ainda um piso superior com um pequeno pátio a que se chamava o limoeiro por ter um limoeiro, a chamada "sala velha" e um outro quarto, o "chamado quarto do Capelão".
Por trás destas divisões, encontráva-se um enorme tanque exterior em pedra, com um telheiro e uma fonte, muito utilizado para lavagens domésticas

1 comentário:

isabel disse...

Olá!
Ao autor deste Blog!
Meu tetravô foi Justiniano José da Fontoura Araújo, que casou com Úrsula Joaquina da Silva Fontoura Madureira Lobo. Ao fazer a nossa árvore genealógica verifiquei que viveram na sua Quinta do Ginzo, em Santo Abdré da Curalha, termo de Chaves.
Alguma vez ouviu falar destes meus ascendentes?
Ele - Justiniano da Fontoura Araújo - era bisneto de Gaspar de Araújo Chaves e através de Felipa de Moraes Teixeira neto em 8º grau de Martim Teixeira "o Velho".
No vosso levantamento genealógico estes meus ascendentes não foram detectados?
A referida Quinta do Ginzo na Curalha seria a mesma por vós referida?
Agradeço um vosso contacto se é que sabem algo sobre este passado!
Saudações genealógicas!
Isabel